Fiocruz Ceará sedia articulação inédita para fortalecer política de cannabis medicinal no SUS

A Fiocruz Ceará sediou no dia 6 de março de 2026 um encontro de articulação com representantes de associações de pacientes, organizações da sociedade civil, instituições científicas e representantes do poder legislativo para discutir estratégias de apoio à implantação de uma política pública voltada ao uso terapêutico da cannabis no Brasil. A iniciativa teve como objetivo construir um processo de cooperação institucional entre diferentes atores que atuam no campo da cannabis medicinal, fortalecendo iniciativas de pesquisa científica, formação profissional e ampliação do acesso a terapias baseadas em evidências.
Durante o encontro, cada instituição apresentou o escopo de suas atividades e experiências na área, incluindo ações de apoio a pacientes, promoção de eventos científicos, disseminação de informações sobre terapias canabinoides e iniciativas voltadas à ampliação do acesso ao tratamento.
Apoio ao projeto de lei em tramitação no Ceará
Um dos pontos centrais do debate foi a importância da aprovação do projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE), de autoria dos deputados Renato Roseno e Larissa Gaspar, que propõe a criação de uma política estadual voltada ao uso terapêutico da cannabis no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta busca ampliar o acesso a terapias baseadas em cannabis medicinal, estimular a pesquisa científica e promover a formação de profissionais de saúde para o uso seguro e baseado em evidências dessa abordagem terapêutica.

Fiocruz Ceará como instituição âncora
Durante a reunião também foi discutida a possibilidade de a Fiocruz Ceará atuar como instituição âncora de apoio técnico-científico às organizações que atuam nesse campo.
Segundo os participantes, a instituição pode contribuir com produção e sistematização de evidências científicas, apoio à formação de profissionais de saúde, desenvolvimento de projetos de pesquisa e inovação e articulação entre universidades, associações e gestores públicos.
“A Fiocruz tem uma tradição histórica de contribuição para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde baseadas em evidências. Ao sediar esse espaço de diálogo, buscamos apoiar iniciativas que ampliem o acesso a terapias seguras e fortaleçam o Sistema Único de Saúde”, destacou o médico Odorico Monteiro, coordenador de Inovação, Produção e Empreendedorismo da Fiocruz Ceará.
Articulação permanente
Como encaminhamento do encontro, foi acordada a criação de um espaço permanente de articulação institucional entre as organizações participantes. As reuniões ocorrerão mensalmente, na primeira sexta-feira de cada mês, no período da manhã. Em razão do calendário da Semana Santa, o próximo encontro foi excepcionalmente agendado para 10 de abril de 2026. A iniciativa reforça o papel da Fiocruz Ceará como espaço de diálogo entre ciência, sociedade e políticas públicas, contribuindo para o desenvolvimento de soluções inovadoras que ampliem o acesso a tratamentos seguros e baseados em evidências no âmbito do SUS.
Instituições participantes
Fiocruz Ceará: Instituição pública de ciência e tecnologia em saúde que atua em pesquisa, inovação, formação e apoio às políticas públicas do SUS.
Bio-Manguinhos/Fiocruz: Unidade técnico-científica responsável pelo desenvolvimento e produção de vacinas, biofármacos e kits de diagnóstico.
Universidade Federal do Ceará (UFC): Universidade pública federal com atuação em ensino, pesquisa e extensão nas áreas de saúde e biotecnologia.
Mandato da deputada estadual Larissa Gaspar: Representação parlamentar na Assembleia Legislativa do Ceará.
ACURA – Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal: Associação dedicada ao apoio a pacientes e à promoção de atividades educativas sobre cannabis medicinal.
Mãe Plantinha: Associação que atua no acolhimento e orientação de pacientes e familiares que utilizam terapias à base de cannabis.
ABRACAN – Associação Brasileira de Cannabis Medicinal: Organização da sociedade civil voltada à defesa do acesso à cannabis medicinal e à disseminação de informação científica.
ACTEC: Organização voltada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação em saúde.
Adapta-Cann: Iniciativa que atua na pesquisa e difusão de soluções terapêuticas relacionadas à cannabis medicinal.
Verde Ouro: Organização que atua na promoção de alternativas terapêuticas baseadas em derivados da cannabis.
Flor de Kaneh: Associação dedicada ao apoio a pacientes e à ampliação do acesso a terapias caabinoides.
Jardim Yvoty: Organização que atua em iniciativas de cultivo, educação e pesquisa relacionadas à cannabis medicinal.
Cannabis medicinal no Brasil – Saiba mais
A cannabis medicinal refere-se ao uso terapêutico de compostos derivados da planta Cannabis sativa, especialmente o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), para tratamento de diferentes condições clínicas.
No Brasil, o uso terapêutico da cannabis é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que autoriza importação de produtos por pacientes mediante prescrição médica e a comercialização de produtos derivados de cannabis em farmácias mediante autorização sanitária.
Nos últimos anos, diferentes estados brasileiros têm discutido políticas públicas para ampliar o acesso a esses tratamentos no âmbito do SUS, além de estimular pesquisas científicas e formação profissional na área.
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