Meninas e Mulheres na Ciência: Intercâmbio reúne representantes do Ceará, Piauí e Rondônia

“Por mulheres vivas, saudáveis e respeitadas”. Foi com este tema que a Fiocruz Ceará recebeu, nos dias 16, 17 e 18 de março de 2026, 22 meninas e mulheres do Ceará, Piauí e Rondônia. O intercâmbio é mais uma etapa do projeto tem como objetivo integrar, unir, fortalecer e reduzir as desigualdades de gênero na área, além de incentivar a diversidade nas mais diversas esferas, especialmente na Ciência. O evento faz parte do calendário de ações em alusão ao Dia Internacional Meninas e Mulheres na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a equidade de gênero na área científica.


A abertura da programação contou com a participação de Carla Celedonio, coordenadora da Fiocruz Ceará. A pesquisadora desejou boas-vindas e ratificou a importância da iniciativa, que busca fortalecer laços, engajar mais mulheres e meninas neste campo do conhecimento e promover a troca de experiências e saberes. “Assim como no Piauí e em Rondônia, também enfrentamos muitos desafios, mas sabemos que ofertamos nosso melhor, com excelência. Por isso acolhemos vocês com alegria, para que também repassem e estimulem outras meninas e, cada vez mais possamos ocupar esses espaços de compromisso com a saúde das pessoas”, defende.

Elaine Nascimento, coordenadora do Meninas na Ciência na Fiocruz Piauí, ratificou o caráter coletivo da atividade e agradeceu a participação de todas nesta construção. “A ciência tem que chegar aonde as mulheres estão”, ressaltou. Já Najla Benevides Matos, vice-coordenadora de Pesquisa da Fiocruz Rondônia, ratificou que atividades semelhantes são desenvolvidas naquele estado levar o movimento às escolas e populações ribeirinhas, buscando que mais meninas tenham oportunidade e acesso ao conhecimento. “Serão dias de muito aprendizado e troca”, considera.
Luciana Lindenmeyer, coordenadora do projeto Meninas e Mulheres na Ciência pela Fiocruz Ceará, considera o intercâmbio um momento de integração e fortalecimento da participação de mulheres na ciência. “Esta é mais uma ferramenta de ampliar o diálogo entre diferentes territórios e reconhecer a importância dos saberes tradicionais na produção de conhecimento”, defende. O artista Ricardo Wagner acompanhou o encontro e registrou as atividades através do projeto “Conversa Desenhada”.



Na programação, elas participaram debates e trocas de experiências entre as participantes dos três estados, com foco na valorização de diferentes formas de produzir conhecimento e na construção de redes de colaboração entre mulheres na ciência.




No dia 16, as meninas participaram da roda de diálogo “Experiências vividas, saberes partilhados”, quando puderam compartilhar trajetórias e iniciativas. No período da tarde, o grupo participou de uma experiência externa na Aldeia Jenipapo-Kanindé, onde serão apresentados saberes dos povos originários. A aldeia, localizada na Terra Indígena Lagoa Encantada em Aquiraz, é conhecida por sua forte resistência cultural, luta pela demarcação e por ser a primeira no Brasil a ter um cacicado feminino, liderado por Cacique Pequena e, posteriormente, por suas filhas.




Já no dia 17 de março, as participantes visitaram o Quilombo do Cumbe, comunidade localizada no município de Aracati, que fica a cerca de 130 quilômetros de Fortaleza e com raízes negras/quilombola. A comunidade mantém viva a relação com seu território tradicional (manguezais, carnaubais, dunas, gamboas, rio e o mar) seu principal meio de vida. A programação contou com atividades sobre a resistência do povo quilombola e sua forma contracolonial de fazer ciência, promovendo reflexões sobre conhecimento tradicional, território e justiça social.
O intercâmbio foi encerrado no dia 18 de março, com um momento de avaliação e compartilhamento de aprendizados. Yasmin Alves, Provoc do Ceará considera que participar do intercâmbio foi um momento “libertador e único”. “Foram três dias que, junto com as experiências vividas me trouxeram conforto e aprendizagem de novas vivências, que apesar de únicas são vivências que dá vontade de reviver sempre. Estar com cada mulher ali naqueles ambientes foi enriquecedor, único e insubstituível. Ver cada luta, resistência e vitória foi como compartilhar uma história conjunta, como se estivéssemos escrevendo um livro lindo. Carrego comigo o olhar de garra de cada uma, as vivências levarei para o meu futuro e fazer dele o meu presente”, enaltece.
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