CAPES Global é tema de encontro na Fiocruz Ceará

A Fiocruz Ceará, por meio da Coordenação de Educação, Informação e Comunicação (CEIC), realizou no dia 25 de fevereiro de 2026 a apresentação institucional do Programa CAPES Global. André Périssé, coordenador de Educação Internacional da Fiocruz, detalhou a iniciativa e esclareceu dúvidas dos pesquisadores que participaram do encontro.

Périssé destacou o desempenho da Fiocruz no edital nº 13/2025, alcançando, na primeira fase, o primeiro lugar entre as 23 redes aprovadas, em um total de 50 propostas submetidas. A Fiocruz coordena a rede e participa com vários institutos, incluindo a Fiocruz Ceará. As instituições parceiras no Brasil são Universidade Federal do Piauí (UFPI/PI), Universidade Federal de Rondônia (UNIR/RO), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/MS), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA/PA), e Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA/PR) e conta com a participação de 85 Programas de Pós-Graduação na rede.
Segundo o coordenador de Educação Internacional da Fiocruz, a instituiçãoreuniu todos os seus Programas de Pós-Graduação em uma única proposta, evitando dividir esforços, definindo cinco grandes temas para organizar a atuação da rede: Sistemas de Saúde, Doenças Socialmente Determinadas e Desigualdades; Saúde Global e Emergências em Saúde; Biodiversidade, Ambiente e Mudanças Climáticas; Ciclo de Vida, Transformações Demográficas e Envelhecimento Saudável e Inovação em Ciência e Tecnologia para a Saúde.

André Périssé considera o modelo de governança do programa forte e participativo, contando com a contribuição de um Comitê de Gestão formado por pró-reitores, um Comitê Administrativo dividido em áreas como planejamento, parcerias internacionais e comunicação, além de coordenações dos temas estratégicos e comissões temáticas com representantes de cada instituição. A CAPES elogiou a organização, especialmente por promover trabalho conjunto e ajudar a reduzir desigualdades regionais.
O orçamento inicialmente previsto era de R$ 26 milhões anuais. Entretanto, já foi confirmada uma redução mínima de 30%, o que diminui o montante destinado para aproximadamente R$ 18 milhões por ano. “O orçamento do primeiro ano, equivalente à seis meses, precisará ser executado rapidamente, exigindo organização antecipada”.
As modalidades de mobilidade incluem, para o exterior, doutorado sanduíche, professor visitante Júnior e Sênior, capacitações de curta duração e missões para prospecção e participação em eventos. Para o Brasil, estão previstas vagas para professores visitantes, jovens talentos, pós-doutorado e doutorado sanduíche reverso. O foco principal são os países do Sul Global e dos BRICS, mas parcerias com países do Norte continuam permitidas.

Em relação às parcerias internacionais, foi citada a Rede Pasteur como um exemplo de cooperação já consolidada. Os participantes do encontro também mencionaram parcerias com instituições da China, especialmente a Universidade de Wuhan, França, Uruguai, Tunísia, Argélia, Canadá, entre outras. O coordenador de Educação Internacional da Fiocruz reforça a necessidade de formalizar todas as cooperações, que agora é uma exigência do programa.
Para participar, docentes, estudantes e técnicos precisam estar vinculados a um Programa de Pós-Graduação que faça parte da Rede. Quem não está vinculado só poderá participar de editais gerais da CAPES, caso sejam abertos. Os Programas de Pós-Graduação foram avaliados pela sua produção científica, alinhamento aos temas estratégicos e relação com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Alguns desafios foram destacados, como a necessidade de ajustes por causa do corte de orçamento. Além disso, a iniciativa não permite pagar taxas de cursos no exterior nem passagens nacionais que não estejam ligadas à mobilidade internacional. O coordenador de Educação Internacional da Fiocruz informa ainda que as instituições precisarão criar sistemas internos de comunicação e gestão, ampliar a oferta de cursos de idiomas, estruturar a recepção de estrangeiros e lidar com diferenças organizacionais entre as universidades parceiras. “Existe ainda o risco de alguns programas não terem participantes beneficiados, algo que o Comitê Gestor tentará evitar”, avalia.

André Périssé confirma que ainda no primeiro semestre de 2026 serão feitas visitas às unidades, apresentações presenciais e híbridas e a construção dos editais. “A previsão é que os editais sejam lançados no segundo semestre de 2026, com início das ações em junho e das bolsas em setembro”.
Saiba mais
Um dos principais pontos do CAPES Global é a ideia de internacionalização solidária, em que instituições mais estruturadas, como a Fiocruz, ajudam universidades parceiras como a UFPI/PI, UNIR/RO, UFMS/MS, UFOPA/PA e UNILA/PR.
O programa prevê mobilidade internacional de estudantes, professores e técnicos, tanto para o exterior, quanto para o Brasil, com foco especial na recepção de estudantes de países do Sul Global e dos BRICS. O CAPES Global também busca melhorar a forma como as instituições organizam suas ações internacionais, fortalecer redes de pesquisa e pós-graduação e promover trocas culturais e formação em idiomas.
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