Defesas de trabalhos de conclusão marcam encerramento do Curso Nacional de Especialização em Educação Popular em Saúde

A Fiocruz Ceará realizou, nos dias 26, 27 e 28 de março, o encerramento da primeira turma do Curso Nacional de Especialização em Educação Popular em Saúde. A atividade contou com as apresentações dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) e outras atividades.

O curso é oferecido nacionalmente em todas as regiões do Brasil, formando profissionais em nível de pós-graduação — especialistas em Educação Popular em Saúde, com turmas nas regiões Sudeste (Vitória/ES), Centro-Oeste (Brasília/DF), Nordeste I (Eusébio/CE) e Nordeste II (Recife/PE), Norte (Palmas/TO) e Sul (Porto Alegre/RS). No Ceará, a turma de especialistas conta com educandos e educandas do Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, totalizando 34 concludentes.

Ana Sabrina Araújo Meneses considera que o processo da especialização “foi e está sendo de muito fortalecimento para os nossos territórios, principalmente os camponeses”. “Esta é uma grande oportunidade para colocar as mulheres, sobretudo as mulheres indígenas e quilombolas, no debate da educação, da saúde e da construção da saúde coletiva em territórios afetados pela mineração, que é o lugar de onde eu venho. Vivenciar o processo de junção das várias experiências está sendo uma oportunidade de fortalecer a saúde coletiva dos povos afetados pelo capitalismo”, considera. A educanda orientada pelo pesquisador Fernando Carneiro, apresentou o trabalho intitulado “No caminho para o Cacimbão: Sistematização da luta por territórios livros de mineração no semiárido de Santa Luzia, Independência – Ceará”.

A médica e pesquisadora da Fiocruz Ceará, Vera Dantas, também destacou a relevância da conclusão da turma. “Essa realização representa um passo importante na construção de uma teia entre educadores e educadoras populares nordestinos (as); representa a possibilidade de intercambiarmos nossas experiências, de fortalecermos e darmos visibilidade ao que temos construído coletivamente e dá a possibilidade de materializar, no cotidiano dos territórios, essa política tão potente em seus mais diversos caminhos, no cuidado, na organização popular, nas perspectivas multi e interculturais que ele propiciou e também na ideia de uma formação que se faz com afeto, amorosidade, luta, força, coragem, rebeldia e com inclusão”, enaltece.

A coordenadora da especialização na Região Nordeste I, Vanira Pessoa considera que o curso traz novas possibilidades de práticas dentro do Sistema Único de Saúde a partir de outros princípios pedagógicos, de uma outra relação dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, com os usuários do serviço do SUS e ainda uma outra relação de cuidado com os movimentos sociais. “A centralidade nos cuidados em saúde a partir de um debate sobre democracia, cultura, arte, práticas integrativas, saberes e práticas populares de cuidado em aliança com os cuidados tradicionais realizados com trabalhadores que estão em diversos espaços do SUS, que é o caso dos nossos educandos que atuam em hospitais, territórios, unidades básicas de saúde, CAPS, serviços de saúde indígena e militantes de movimentos sociais traz um repensar e uma ressignificação da prática profissional. Diante de tudo isso, a Fiocruz oferta uma importante contribuição para o processo de trabalho em saúde, à luz dos desafios contemporâneos”, considera.

Saiba mais

O Curso na Fiocruz Ceará foi desenvolvido em parceria da Coordenação de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (CAAPS) e da Coordenação de Educação, Informação e Comunicação (CEIC).

O Curso Nacional de Especialização em Educação Popular em Saúde é uma iniciativa da Coordenação-Geral de Educação Popular em Saúde do Departamento de Gestão Interfederativa e Participativa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde e Fiocruz Brasília em parceria com diversas instituições no País para formar especialistas e fortalecer a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS) no SUS e nos territórios. Com metodologia baseada em Paulo Freire, foca na participação popular, território e humanização, com turmas descentralizadas.

Com 12 meses de duração, a especialização aborda temas como: democracia, vigilância popular, participação, educação, atenção ao cuidado e a multiculturalidade. Tem por objetivo ter no SUS municipal, Estadual, Nacional e nos movimentos sociais, educadores(as) populares para promover territórios saudáveis e a construção de um SUS mais democrático e participativo.

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