Frutos de pesquisa-ação focam no fortalecimento da saúde indígena no sertão cearense 

Cacique Toinha Tabajara, da comunidade Rajado, na TI da Serra das Matas (Foto: Iago Barreto)

Produzir conhecimento em comunhão com a luta indígena pela garantia do direito à saúde. Esse é um dos objetivos que mobilizam os integrantes da iniciativa SERPOVOS.

Entre abril de 2021 a março de 2022, um dos focos da nossa atuação foi o Território Indígena da Serra das Matas, que abrange os municípios de Monsenhor Tabosa, Tamboril, Santa Quitéria e Boa Viagem, no Ceará. Neste vasto território trabalhamos com o Movimento Potygatapuia e o Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas, que organizam conjuntamente 34 aldeias.

Articulamos diversas atividades em torno das identidades, memórias e práticas ancestrais de cuidado em saúde dos povos do território, e produzimos materiais educativos e bibliográficos em conjunto.

Foram realizadas rodas de conversas, seminários, visitas às residências e quintais com cultivos de plantas utilizadas em rituais de cura, participação em rituais de dança, visita aos lugares sagrados e instituições públicas existentes nas aldeias, como as escolas e unidades de saúde.

A pesquisa-ação-participativa teve como intuito promover uma ruptura com a invisibilidade dos indígenas que habitam o território da Serra das Matas, e fortalecer o direito à saúde por meio da valorização dos saberes ancestrais, em diálogo com o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). A pesquisa envolveu diretamente 110 indígenas, sendo eles lideranças locais, pajés, caciques, raizeiros, rezadeiras, parteiras, jovens, estudantes, profissionais da educação e saúde, que trabalharam com a equipe de pesquisa na concepção dos produtos que estão listados a seguir:

Diagnóstico Situacional

O relatório levantou informações para caracterizar brevemente os povos, as condições sanitárias e socioambientais dos povos indígenas da Serra das Matas e dos municípios em relação ao acesso à saúde. Nele também estão registrados o contexto de produção da invisibilidade dos povos indígenas no Ceará e os desafios para a garantia do direito à saúde indígena, além dos pressupostos teóricos e metodológicos da pesquisa.
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Dossiê Ybi Tupãnã

O dossiê sistematiza as condições atuais de saúde no território da Serra das Matas e faz um levantamento das práticas tradicionais de cuidado e cura preservadas por raizeiros, meizinheiras e rezadeiras, e por profissionais indígenas da educação e da saúde. O documento também registra informações sobre a história dos povos indígenas da Serra das Matas através de fontes bibliográficas e depoimentos de lideranças, troncos velhos, Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN), Agentes Indígenas de Saúde (AIS), educadores, mulheres e jovens.
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Cartilhas Coletânea: Vida e Saúde em Cartas

O diálogo oral, em desenhos e escrito em cartas, frutos das rodas de conversa realizadas durante as atividades de campo, deram origem à duas cartilhas educativas, numa coletânea intitulada Vida e Saúde em Cartas: “Diálogos de Saberes para a Promoção da Saúde Indígena” e “Identidade Indígena de Mulheres e Homens do Sertão do Ceará”.

Os temas foram escolhidos a partir da necessidade de reafirmação da identidade e das práticas de saúde indígenas. O material foi concebido para ser distribuído em unidades de saúde, conselhos de saúde, associações, sindicatos e escolas para estimular a participação comunitária no monitoramento e melhoria da saúde indígena no território.

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Curtas e Podcast “Memórias da Pandemia” 

Registro da oficina de audiovisual com as juventudes indígenas da TI da Serra das Matas
(Foto: Iago Barreto)

Dentre as atividades do projeto, foram feitas oficinas de audiovisual com jovens em diferentes aldeias da TI da Serra das Matas: Espírito Santo, Longar, Passagem, Mundo Novo, Jacinto e Olho D’Água dos Canuto.  

A apropriação das ferramentas de comunicação resultou na produção de curtas que registram diferentes aspectos sobre saúde e vida pela concepção dos povos. Também foram produzidos podcasts que deram origem à série Memórias da Pandemia, com relatos de como cada aldeia vivenciou os impactos da Covid-19.  

Aqui está o link para conferir os curtas: https://www.youtube.com/watch?v=1EcTPbsHFvw&list=PLI1zb9Ux1NqpDubpgySctKiwGyjXq5HQA  

E aqui o link para ouvir todos os episódios do podcast “Memórias da Pandemia”:  https://www.youtube.com/watch?v=UpZQpJibT3c&list=PLI1zb9Ux1NqoyV066MdadkIS5neJf8B9a  

Integrantes do projeto da pesquisa-ação 

Alissan Karine Lima Martins – Fiocruz Ceará 
Ana Bebê Potyguara – Movimento Potygatapuia 
Ana Cláudia de Araújo Teixeira – Fiocruz Ceará 
Dandara Ruana – Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas 
Elvis Aroerê Tabajara – Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas 
Fernando Ferreira Carneiro – Fiocruz Ceará 
Flora Viana Elizeu da Silva – Fiocruz Ceará 
Iago Barreto Soares – Fiocruz Ceará 
Iara Vanessa Fraga de Santana – Fiocruz Ceará 
Jeane Potyguara – Movimento Potygatapuia  
Luisa Canuto – Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas 
Marcelo Tabajara – Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas 
Maria das Graças Viana Bezerra – Fiocruz Ceará 
Marlúcia Tabajara – Movimento Potygatapuia 
Marina Tarnowski Fasanello – Escola Nacional de Saúde Pública / Fiocruz 
Marinete Potyguara – Movimento Potygatapuia 
Renan Tabajara – Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas 
Sebastião Tabajara – Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas 
Sibá Potyguara – Movimento Potygatapuia 
Teka Potyguara – Movimento Potygatapuia 
Toinho Gavião – Movimento Potygatapuia   
Vanira Matos Pessoa – Fiocruz Ceará  
 

Sobre o projeto 

A pesquisa-ação foi feita através do projeto Identidades, Memórias e Práticas de Cuidados em Saúde: convivências ancestrais e os desafios atuais na defesa do direito à saúde e da vida em territórios indígenas no sertão do Ceará, coordenado por Vanira Pessoa, pesquisadora da Fiocruz Ceará.  

A pesquisa foi concebida dentro da teia de saberes da iniciativa SERPOVOS, em parceria com o Movimento Potygatapuia e o Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas. O fomento é do Programa Inova Fiocruz e Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz via projeto “Aprimoramento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, através do desenvolvimento de estudos, estudos técnicos, pesquisas científicas e ações estratégicas, essenciais para a diversificação, ampliação e qualidade dos serviços de saúde prestados aos indígenas”. 

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