{"id":291,"date":"2021-02-01T15:17:29","date_gmt":"2021-02-01T18:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/157.86.218.141\/portal\/?p=291"},"modified":"2021-02-01T15:17:32","modified_gmt":"2021-02-01T18:17:32","slug":"pesquisa-da-fiocruz-ceara-aborda-impacto-do-derramamento-de-petroleo-na-vida-de-pescadoras-e-marisqueiras-do-litoral-leste-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/pesquisa-da-fiocruz-ceara-aborda-impacto-do-derramamento-de-petroleo-na-vida-de-pescadoras-e-marisqueiras-do-litoral-leste-do-estado\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Fiocruz Cear\u00e1 aborda impacto do derramamento de petr\u00f3leo na vida de pescadoras e marisqueiras do litoral leste do Estado"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores da Fiocruz Cear\u00e1 estiveram em Fortim, Litoral Leste do Estado, nesta quarta-feira (27\/11), para visitar e realizar uma roda de conversa com as mulheres pescadoras e marisqueiras. As visitas foram nas praias de pontal de Macei\u00f3, no rio Jaguaribe e na comunidade de Jardim. As marisqueiras da regi\u00e3o de Pontal de Macei\u00f3, de Jardim, da Volta, da Canavieira e do Cumbe, que compreende parte do litoral de Fortim e Aracati relatam que s\u00e3o uma das popula\u00e7\u00f5es atingidas pelo derramamento de petr\u00f3leo no Cear\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os relatos, cerca de 500 fam\u00edlias vivem da pesca artesanal de mariscos. O sustento destas fam\u00edlias foi garantido h\u00e1 diversas gera\u00e7\u00f5es pela coleta do marisco no rio Jaguaribe. Ap\u00f3s o derramamento de petr\u00f3leo, a venda do pescado despencou mais de 50% e atingiu violentamente a principal fonte de renda dos moradores.&nbsp; As fam\u00edlias que sempre se sustentaram com a atividade pesqueira est\u00e3o perdendo o alimento e seu principal produto de venda, pelo risco de contamina\u00e7\u00e3o com o petr\u00f3leo. N\u00e3o h\u00e1 consumidores interessados e as pescadoras est\u00e3o vivendo a incerteza do dia de amanh\u00e3. As popula\u00e7\u00f5es produtoras e consumidoras de peixes e mariscos n\u00e3o tem respostas se estes alimentos est\u00e3o contaminados, mas est\u00e3o com medo dos riscos que correm consumindo-os, portanto, reivindicam estudos e an\u00e1lises da contamina\u00e7\u00e3o dos peixes e mariscos e da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o pesqueira.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fiocruz Cear\u00e1 est\u00e1 desenvolvendo uma pesquisa no territ\u00f3rio, iniciada em dezembro de 2018, para tra\u00e7ar um diagn\u00f3stico detalhado sobre as fam\u00edlias pescadoras e produzir indicadores de avalia\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. A pesquisa intitulada \u201cProdu\u00e7\u00e3o de indicadores para avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias e acesso aos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em territ\u00f3rios do litoral e do sert\u00e3o do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte, \u00e9 coordenada pela pesquisadora da Fiocruz Cear\u00e1, dra. Vanira Matos Pessoa, que pesquisa na \u00e1rea de sa\u00fade da fam\u00edlia, ambiente e trabalho. Al\u00e9m dela, os pesquisadores de sa\u00fade e ambiente da Fiocruz Cear\u00e1, dr. Fernando Ferreira Carneiro e dra. Margareth Gallo, participam da pesquisa e estiveram na visita a comunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa de campo come\u00e7ou em abril de 2018, sendo realizados grupos focais e entrevistas e no in\u00edcio de 2020, ser\u00e3o aplicados question\u00e1rios sobre o hist\u00f3rico de sa\u00fade-doen\u00e7a, social, econ\u00f4mico, ambiental, de trabalho e cultural das fam\u00edlias pescadoras, bem como do atual contexto socioambiental. &#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>As marisqueiras organizaram a roda de conversa para discutir o tema do petr\u00f3leo e o impacto na vida das fam\u00edlias pescadoras como forma de pedir apoio da Fiocruz Cear\u00e1&nbsp;e compartilharam hist\u00f3rias que est\u00e3o vivenciando com o desastre ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Os relatos comoventes t\u00eam uma preocupa\u00e7\u00e3o em comum: a sobreviv\u00eancia. Dona Francisca de Albuquerque, aprendeu a ser pescadora com a m\u00e3e, e j\u00e1 trabalha como marisqueira desde os 12 anos e diz que nunca passou por situa\u00e7\u00e3o parecida. Ela conta que chegava a vender 30 quilos de sururu em um dia de feira em Pindoretama, munic\u00edpio pr\u00f3ximo, mas desde a not\u00edcia sobre o derramamento de petr\u00f3leo, viu as vendas dela e de suas amigas ca\u00edrem ao ponto de comprometer o sustento de fam\u00edlias inteiras de pescadores da Regi\u00e3o. \u201cEu vendia 30 quilos de sururu e era r\u00e1pido. Hoje, vou com 10 quilos, volto com 8 quilos e congelo para comer. Se tiver contaminado, n\u00e3o tenho o que fazer, n\u00e3o vou \u00e9 passar fome com minha fam\u00edlia\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8220;Esta visita atende a um pedido das marisqueiras. Toda a comunidade est\u00e1 preocupada com a quest\u00e3o do petr\u00f3leo e pediram que a pesquisa considerasse esse problema. Ent\u00e3o, essa roda de conversa possibilita compreender a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e tra\u00e7ar estrat\u00e9gias na pesquisa para abordar o problema. N\u00e3o h\u00e1 dados sobre essas pessoas, elas s\u00e3o exclu\u00eddas da sociedade&#8217;, explica a pesquisadora Vanira Pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>As marisqueiras tamb\u00e9m querem saber sobre a contamina\u00e7\u00e3o do Rio Jaguaribe e do mar. Em fun\u00e7\u00e3o dessa demanda, Dr.Fernando Carneiro, pesquisador do projeto, buscou uma parceria com o Instituto de Ci\u00eancias do Mar (Labomar) da UFC para realizar uma coleta de 50 unidades de sururu, o equivalente a 200 gramas, para ser analisada em laborat\u00f3rio. A coleta seguiu as recomenda\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (EPA) dos Estados Unidos conforme orienta\u00e7\u00e3o da dra. Margareth Gallo. Segundo Carneiro, \u201cessa nova demanda para a pesquisa em fun\u00e7\u00e3o do derramamento de petr\u00f3leo ir\u00e1 exigir maior articula\u00e7\u00e3o da Fiocruz Cear\u00e1 com a Sala de Situa\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 Petr\u00f3leo da Fiocruz em termos de apoio para o desenvolvimento desse componente de an\u00e1lise ambiental que n\u00e3o estava previsto inicialmente no or\u00e7amento da pesquisa\u201d, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>As marisqueiras n\u00e3o s\u00e3o cobertas pelo seguro defeso, pago apenas para pescadores embarcados.&nbsp; Apesar das marisqueiras terem consci\u00eancia dos riscos e dos cuidados que devem tomar, a ressalva \u00e9 a mesma: elas n\u00e3o tem outra fonte de renda em casa.&nbsp; Expostas ao sol, \u00e0s \u00e1guas, \u00e0 lama e sujeitas a doen\u00e7as de pele, de coluna, al\u00e9m de ferimentos como cortes nas m\u00e3os e p\u00e9s, elas seguem na luta pela sobreviv\u00eancia, torcendo para que o derramamento de petr\u00f3leo n\u00e3o tenha contaminado a vida de todas elas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Sobre a pesquisa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Na Estrat\u00e9gia Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF) as a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia a sa\u00fade, de aten\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade permanecem fragmentadas sem a devida intera\u00e7\u00e3o e leitura da din\u00e2mica do territ\u00f3rio, considerando a an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida de popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas, como pescadores (as) artesanais e agricultores (as) familiares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 limita\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, transporte p\u00fablico, comunica\u00e7\u00e3o, saneamento e acesso insuficiente aos servi\u00e7os de sa\u00fade, com presen\u00e7a de conflitos, viol\u00eancias, mortes, acidentes qu\u00edmicos acarretando problemas relacionados ao ambiente-trabalho, que permanecem invisibilizados. A Fiocruz Cear\u00e1 recebeu a demanda dos Movimentos Populares: Comiss\u00e3o Pastoral dos Pescadores; Articula\u00e7\u00e3o das Mulheres Pescadoras, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, C\u00e1ritas Diocesana de realizar um diagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es de vida destas popula\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto pergunta-se: Como est\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de vida e o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade das fam\u00edlias que vivem da pesca artesanal e da agricultura familiar em territ\u00f3rios do sert\u00e3o e do litoral nordestino? Este projeto aborda as condi\u00e7\u00f5es de vida e o acesso aos servi\u00e7os da ESF, de fam\u00edlias e indiv\u00edduos, que residem e tem seu modo de vida alicer\u00e7ado na agricultura familiar e na pesca artesanal, em quatro munic\u00edpios, nos estados do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os munic\u00edpios apresentam menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o com plano de sa\u00fade privado, e um dos munic\u00edpios, no sert\u00e3o do Cear\u00e1, 99,5% da popula\u00e7\u00e3o depende do SUS. Objetiva-se elaborar indicadores de avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias e acesso aos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em territ\u00f3rios do litoral e do sert\u00e3o do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte. Trate-se de um estudo misto, que utilizar\u00e1 a combina\u00e7\u00e3o diferentes t\u00e9cnicas de coleta de dados, de organiza\u00e7\u00e3o processamento e an\u00e1lise do material, com o intuito de apresentar resultados o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do alcance dos objetivos propostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos mistos possibilitam a combina\u00e7\u00e3o de diferentes teorias, m\u00e9todos e fontes de dados e podem ajudar a superar o vi\u00e9s natural que atinge estudos com abordagens singulares. Ser\u00e3o aplicados um formul\u00e1rio fechado junto \u00e0s fam\u00edlias, que trabalham na agricultura e na pesca \u2013 eixo quantitativo; e ser\u00e3o realizadas entrevistas semiestruturadas com os profissionais de equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia rural (eqSFR), grupos focais com: pescadores e pescadoras e, agricultores e agricultoras, e hist\u00f3ria de vida de fam\u00edlias, que vivem e trabalham em regi\u00f5es remotas nestes munic\u00edpios \u2013 eixo qualitativo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O material coletado ser\u00e1 analisado em softwares quantitativos e qualitativos, adequados a abordagem metodol\u00f3gica. Pretende-se com esses indicadores qualitativos e quantitativos fomentar a abordagem das popula\u00e7\u00f5es sertanejas e das \u00e1guas, pela eqSFR com o intuito de contribuir para melhoria na aten\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Espera-se subsidiar os movimentos populares do campo e das \u00e1guas na luta por sa\u00fade e por outras pol\u00edticas intersetoriais com vistas a superar as iniquidades em sa\u00fade rural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, dentre os produtos previstos para essa pesquisa est\u00e3o inclu\u00eddos um caderno de narrativas populares, um v\u00eddeo, um \u00e1lbum seriado, artigos cient\u00edficos, e dois semin\u00e1rios, organizados, a partir do olhar da educa\u00e7\u00e3o popular em sa\u00fade e da Ecologia de Saberes, como estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas para dialogar com os profissionais de sa\u00fade, comunidades e movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa \u00e9 financiada pelo Programa INOVA Fiocruz e conta com parceiros a Universidade Federal do Cear\u00e1, Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, Escola de Sa\u00fade P\u00fablica do Cear\u00e1, Conselho Pastoral dos Pescadores, Movimento das Pescadoras e Pescadores, Sindicato de Trabalhadores Rurais do Apodi, Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, &nbsp;Secretarias de Sa\u00fade de Fortim, Icapu\u00ed e Novo Oriente\/Ce e Apodi\/RN &#8211; N\u00facleo Ecologias, Epistemologias e Promo\u00e7\u00e3o Emancipat\u00f3ria da Sa\u00fade\u2013 NEEPES\/Fiocruz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Fiocruz Cear\u00e1 estiveram em Fortim, Litoral Leste do Estado, nesta quarta-feira (27\/11), para visitar e realizar uma roda de conversa com as mulheres pescadoras e marisqueiras. As visitas foram nas praias de pontal de Macei\u00f3, no rio Jaguaribe e na comunidade de Jardim. As marisqueiras da regi\u00e3o de Pontal de Macei\u00f3, de Jardim, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":292,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19,23],"tags":[],"class_list":["post-291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pesquisa","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=291"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":293,"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291\/revisions\/293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceara.fiocruz.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}