Fiocruz lança Guia de Vigilância Popular e Emergências Climáticas na 18ª EXPOEPI

Representantes da Fiocruz Ceará participaram da 18ª ExpoEpi, Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças. Realizada pelo Ministério da Saúde de 13 a 17 de abril de 2026, em Brasília, o evento premiou iniciativas do SUS, trabalhadores da saúde e pesquisadores que fortalecem a vigilância em saúde e o combate a doenças, com foco em mudanças climáticas. Durante a mostra, os pesquisadores da Fiocruz Ceará e Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência, lançaram o Novo Guia de Vigilância Popular em Saúde e Emergências Climáticas.

A publicação é um instrumento político-pedagógico que busca valorizar o protagonismo das comunidades, a diversidade de saberes e o diálogo entre povos, movimentos sociais, academia e sistemas públicos de saúde. O processo envolveu 48 autores e 95 colaboradores, incluindo especialistas, representantes do sistema de saúde em todos os níveis e líderes comunitários/movimentos populares. O guia conta com prefácios do Ministro da Saúde, do Presidente da Fiocruz e de Pesquisadoras populares, além de posfácios da Secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Secretário Executivo e Diretor do Departamento de Gestão Estratégica e Participativa do MS.

Ciência e sabedoria popular

A vigilância popular em saúde tem evidenciado que por meio do protagonismo popular e de ações emancipatórias o cuidado com a saúde e com o planeta pode ser potencializado. O guia evidencia como esses sujeitos constroem a Vigilância Popular em Saúde como estratégia para enfrentar as emergências climáticas, integrando saberes populares e científicos, apresentando conceitos essenciais — como justiça climática, bem viver, determinação social da saúde, educação popular e ecologia de saberes.

Ao reunir métodos participativos, narrativas inspiradoras e a análise de casos emblemáticos de extremos climáticos (secas e inundações) — como o Movimento Indígena Potigatapuia e o Assentamento Santa Rita de Cássia II do MST —, o Guia destaca como a Vigilância Popular em Saúde pode fortalecer redes de solidariedade, proteger territórios, culturas e modos de vida, e transformar a crise climática em processos emancipatórios.

O conteúdo foi estruturado para proporcionar uma leitura fluida e inspiradora, combinando poesia, narrativas territoriais, conceitos-chave, ferramentas metodológicas, ilustrações, fotografias e recomendações para a ação. Cada seção evidencia elementos essenciais para compreender e aplicar a Vigilância Popular em Saúde (VPS) nos territórios.

Fernando Carneiro, pesquisador da Fiocruz Ceará e coordenador da pesquisa que gerou o Guia, destaca que a publicação “é a primeira do campo da Vigilância Popular voltada para as emergências climáticas”, ressaltando seu caráter inovador e com alto potencial de aplicação pelas comunidades organizadas junto ao SUS para enfrentamento dessa problemática.

Graciela Stornini, agricultora agroecológica, pesquisadora popular e uma das organizadoras da publicação, considera o Guia um “instrumento valioso que resgata nossa história, dá voz às nossas lutas e fortalece nossa organização coletiva”. “Ele nos ajuda a refletir sobre desafios do território e reafirma que não há participação sem identidade e pertencimento. Além disso, destaca a importância de democratizar o conhecimento e de uma ciência comprometida com a construção cotidiana da democracia e do Bem Viver”, enaltece.

Teka Potiguara, liderança indígena e pesquisadora popular, também comemora o processo de criação do Guia. “Só se cultiva a estrada andando. Entre o céu e a terra existe um espaço ancestral, onde o conhecimento se constrói na caminhada coletiva, no território e na memória dos povos”.

Apoio

 O Novo Guia de Vigilância Popular em Saúde e Emergências Climáticas é um produto técnico da pesquisa “Vigilância Popular em Saúde como estratégia para potencializar as ações dos sistemas de saúde frente às emergências de saúde pública associadas às mudanças climáticas”, apoiado e desenvolvido pela Fiocruz Ceará – Participatório em Saúde e Ecologia de Saberes e pela Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Presidência da Fiocruz.

O estudo também contou com a parceria da pesquisa “Identidades, memórias e práticas de cuidados em saúde: convivências ancestrais e os desafios atuais na defesa do direito à saúde e à vida em territórios indígenas no sertão do Ceará”, liderada pelo SERPOVOS.

A publicação contou com apoio técnico e financiamento da Alliance for Health Policy and Systems Research (Aliança para Pesquisa em Políticas e Sistemas de Saúde) e do Programa de Emergências de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). Também contou a parceria do Ministério da Saúde – SVSA (DAEVS, DEMSP e DVAST), SE (DGIP/CGEPS).

O Departamento de Emergências e Saúde Pública da SVSA/Ministério da Saúde já se comprometeu a imprimir 10.000 cópias do Guia.

Íntegra do Guia AQUI

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